Meu irmão! Minha irmã! Sempre é uma alegria entrar em contato com você, ainda que através destas palavras escritas. Mesmo assim, gostaria de tocar o seu coração com as verdades da fé que, por missão, sou chamado a anunciar! Ao mesmo tempo, reafirmo meu compromisso de oração por você e seus familiares.
Continuando nossa reflexão sobre aquilo que nos constitui como cristãos, discípulos missionários de Jesus, nos encontramos, neste mês, diante de um tema bastante amplo e importante. Falar de “Elementos da Espiritualidade Cristã” significa descobrir aquilo que a torna possível, aquilo que a manifesta em nós. Entre os tantos elementos que poderíamos citar, destacamos alguns:
1. Vida. É o elemento fundamental. “Será – como diz Tonin – sempre a fonte primária para a espiritualidade” (Tonin, Vida mais Vida. Vozes, 2001. p. 53). Só pode viver a espiritualidade ou ser espiritual aquele que está vivo. Por outro lado, a Vida é o grande desejo de Jesus. Ele mesmo afirma: “Eu vim para que todos tenham vida. Que todos tenham vida plenamente” (Jo 10,10). A vida do homem é o maior desejo de Deus. Um santo afirmava: “A glória de Deus é o homem vivo”. Ao falar de Espiritualidade, a vida humana apresenta-se como elemento fundamental.
2. Oração. São João Paulo II disse que “a oração, tanto pessoal como litúrgica, é dever de cada cristão” (EA, 29). A oração “levará, aos poucos, a ver a realidade com um olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer a Deus em cada instante e em todas as coisas, contemplá-lo em cada pessoa; procurar cumprir sua vontade nos acontecimentos. A oração, tanto pessoal como litúrgica, é dever de cada cristão.” (EA, 29). É a oração que torna o cristão um contemplativo. E é de homens contemplativos que o mundo de hoje precisa. Por isso, “as nossas comunidades, amados irmãos e irmãs, devem tornar-se autênticas ‘escolas’ de oração, onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de ajuda, mas também em ação de graças, louvor, adoração, contemplação, escuta, afetos de alma, até se chegar a um coração verdadeiramente ‘apaixonado’. Uma oração intensa, mas sem afastar do compromisso na história...”(NMI, 33). “Por isso, é preciso que a educação para a oração se torne de qualquer modo um ponto qualitativo de toda a programação pastoral.” (NMI, 34). Sem a oração não existe vida espiritual. Um cristão sem oração é o mesmo que um corpo sem vida: perde a sua beleza, a sua vitalidade, o seu dinamismo.
3. Liturgia e Sacramentos. Disse São João Paulo II que “a espiritualidade cristã alimenta-se, sobretudo, por uma constante vida sacramental, pois os sacramentos são a fonte e raiz inexaurível da graça de Deus necessária para amparar o fiel na sua peregrinação terrena.” (EA, 29). Se os sacramentos são alimento da vida cristã, não podem ser desconsiderados na vida espiritual de um cristão. É impossível ser cristão de verdade sem participar da vida e do mistério santificador de Jesus, e isso acontece, para nós, na celebração litúrgica dos sacramentos. Dentre os sacramentos é fundamental destacar os sacramentos da Penitência e da Eucaristia. A penitência nos evidencia, sempre outra vez, que Deus é amor e misericórdia e, por isso, nos ama incondicionalmente. Fazer a experiência de sua misericórdia nos desafia a assumir o seu jeito de viver. A Eucaristia é o pão para os fracos, é o alimento dos pequenos que estão a caminho, é a certeza da presença de um Deus que não esquece os seus. Como deixar de lado os sacramentos ao falar dos elementos da espiritualidade? Eles fazem parte essencial da espiritualidade cristã.
Estes são apenas três elementos importantes da espiritualidade cristã ao lado da Palavra de Deus (lectio divina), da direção espiritual, da vida em comunidade, das pessoas, do mundo, do silêncio e do serviço. Continuaremos tratando desse assunto nas próximas edições.
Procuremos, querido diocesano ou leitor, valorizar o dom da nossa vida, a oração pessoal e comunitária e a celebração sacramental da nossa fé. Certamente seremos muito mais parecidos com Jesus!
