19 de Fevereiro de 2026

"CONFIGURAÇÃO A JESUS CRISTO"

Querido(a) leitor (a)! Ainda no início deste ano, posso me dirigir a você e escrever-lhe algumas palavras. Espero encontra-lo muito bem e que o nosso caminho – e o de toda a diocese – seja marcado pela espiritualidade, comunhão e organização. São propostas do nosso Itinerário Pastoral 2026.

Nós sabemos, a partir da Sagrada Escritura, que Jesus não julga as pessoas pelas aparências, pelas suas atitudes ou gestos e pelas suas posses. Jesus se diferencia de tantos outros mestres porque Ele acolhe as pessoas pelo que elas são. O “SER” é o que importa para Jesus!

Nós somos fracos e vulneráveis, tantas vezes egoístas. Nem sempre somos misericordiosos ou capazes de dar a vida. Às vezes é difícil cumprimentar quem vive ao nosso lado... Os limites, os pecados e os defeitos da nossa existência são visíveis. Numa palavra, podemos dizer que encontramos em nós a FRAGILIDADE. Esta é que precisa ser ofertada a Cristo. Talvez ainda mais profundamente: é preciso deixar Cristo entrar na fragilidade de nossa existência. Paulo fez esta experiência e pôde concluir um dia: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Nós sabemos também que a dor é uma realidade que precisa ser assumida por nós. O cristianismo é uma fé que assume, acolhe e passa além da dor.

Tendo presente estes elementos, é claro que “quanto mais eu apresento a minha fragilidade, tanto mais Deus me santifica”.

Porém, é muito pouco nos descobrirmos limitados. Não podemos nos conformar com esta situação a ponto de dizer: “sou assim mesmo e todos vão ter que me aceitar como sou!” Olhando para a nossa vida, descobrindo nossas fraquezas e medos, compreendemos não somente o motivo da mediocridade e a necessidade de se trabalhar, mas também o valor do Evangelho e do ideal de vida que ele nos apresenta.

No mundo das aparências que vivemos, onde o que importa é exteriormente mostrar que tudo está bem, é importante afirmar que, para nós, a forma a assumir “não significa uma simples imitação exterior, mas uma identificação com o ‘coração’ de Cristo, com os seus sentimentos, com o seu pensamento, com a sua vontade de salvação segundo o projeto do Pai... É a Páscoa de Jesus o ponto de referência de tal identificação, ‘a forma’ que o chamado deve assumir... A identificação com ele não pode limitar-se ao lado externo, aos comportamentos, às ações, mas deve chegar a tocar o coração, os sentidos externos e internos, as motivações profundas, a sensibilidade, o inconsciente, a afetividade, a sexualidade, os desejos, os instintos, a carne.” (Amedeu Cencini).

Configurar-se a Cristo significa descobrir-se como filho amado do Pai. E quem se agarra neste amor do Pai é livre para partilhar, para doar-se sem reservas ou meias medidas, para amar de verdade, sem querer possuir.

Configurar-se a Cristo é assumir, como servo sofredor, o outro e o seu peso. O amor cristão traz consigo a dor. Quem ama sofre porque cuidar significa carregar o peso do outro para que ele fique mais tranquilo. Um autor afirma com propriedade: “somente se for um peso, o outro é, verdadeiramente, um irmão e não um objeto que deve ser dominado (Bonhoeffer)”.

Configurar-se a Cristo é assumir a vida do irmão, do outro, a tal ponto de morrer por ele; é ser cordeiro. É morrer para dar vida. Seguindo a terminologia de Amedeu Cencini, configurar-se a Cristo é descobrir-se FILHO, SERVO e CORDEIRO. Estas três imagens expressam o que Jesus é e o que somos chamados a ser.

Assumir os mesmos sentimentos, as mesmas atitudes e o mesmo jeito de ser e de fazer as coisas do Cristo é o que se espera de um cristão em nosso tempo.


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