18 de Junho de 2026

"O PROGRESSO ESPIRITUAL II"

Prezado(a) Diocesano(a) ou leitor(a)! Neste mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, queremos continuar fazendo acontecer em toda a nossa diocese as atividades concretas do nosso Itinerário Pastoral que nos convida à “espiritualidade, comunhão e organização”. Podemos render graças por aquilo que já foi possível concretizar, ao mesmo tempo em que nos empenhamos na organização dos conselhos, na vivência concreta da missão, na participação na Escola de Teologia para Leigos, na implantação do SAV/PV nas paróquias e na acolhida dos casais em nova união.

Continuando a reflexão iniciada no último jornal sobre a necessidade de se chegar à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade, é importante destacar agora um outro elemento: Este progresso, este caminho de perfeição, passa sempre pela cruz (cf CIC n. 2015).

Vejamos o que nos diz a Igreja: “Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual exige ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças: ‘Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir de começo em começo, por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece’(S. Gregório de Nissa).” (CIC, 2015).

Ao escolher um caminho, uma coisa, uma situação, um serviço... é necessário renunciar, automaticamente, a outros. Não existe escolha de Deus sem a renúncia daquilo que não condiz com o ser divino. Assim também, não se chega a Deus sem as lutas do dia a dia. As batalhas interiores, as provações diárias, o superar a própria realidade são fundamentais e necessárias para se chegar à plenitude. Não há conquista sem batalha. Não há colheita sem o cultivar. Não há chegada sem partir. Trata-se da ascese e da mortificação tão importantes na caminhada espiritual.

Acredito que seja um desafio constante na vida do cristão, por exemplo, a fidelidade à vida de oração. Sem esforço e luta interior passaremos muitos dias da vida sem a oração, que é o combustível para nossa caminhada de fé. Também é verdade que, às vezes, somos tentados a desistir de nossos compromissos, por exemplo a participação semanal na Celebração Eucarística. Quantas vezes também a preguiça, e até o desânimo, tomam conta da nossa vida e pensamos em deixar Deus de lado e passar a viver somente para nós mesmos. São todas demonstrações de um chamado a um maior comprometimento na fé que exige mortificação das nossas vontades por um bem que sabemos ser grande, embora não o sintamos no momento.

Não se fazem as coisas e nem mesmo se vive a experiência de comunhão com os outros e de serviço na comunidade eclesial motivados por bem-estar pessoal ou porque tudo é fácil. E quantas vezes as situações concretas do nosso cotidiano parecem absurdas? Estas são todas oportunidades para renovar nossa fidelidade ao Senhor que nunca prometeu vida fácil para os seus seguidores; prometeu sim ser companheiro de caminhada e presença constante.

Não sei qual é a maior prova enfrentada neste momento da sua vida, mas certamente este é um momento de crescimento, de progresso no caminho de comunhão ainda mais profunda com Deus e com os irmãos. Nesta estrada, a cruz é sempre presente!

Enfim, a finalidade da vivência cristã, da espiritualidade cristã, é a santidade. “No caminho da santidade, Jesus Cristo é o ponto de referência e o modelo a ser imitado” (São João Paulo II. Ecclesia in America, n. 30). Sua vida foi marcada pela cruz. No entanto, a dor e a morte presentes em sua vida não foram as que venceram.

Nosso ideal de vida é Cristo. É Cristo também o nosso modelo. Olhando para sua vida, imitando suas atitudes, fazendo aquilo que ele nos diz, chegaremos à santidade que nada mais é do que a pertença a Deus, aquele que é santo.


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