22 de Janeiro de 2026

"CONTEMPLAÇÃO E COMPROMISSO DE TRANSFORMAÇÃO"

Neste tempo tão especial em que nos preparamos e celebramos o Natal, com grande alegria posso escrever a você, querido(a) leitor(a). Daremos mais um passo na nossa reflexão sobre a Espiritualidade Cristã.

Nós já sabemos que a Sagrada Escritura é um tesouro a ser redescoberto. Nela encontramos luz para a nossa vida e para a nossa missão na Igreja. Convido você a ler dois textos:

Atos dos Apóstolos 1,8-11: Este texto nos diz que seremos testemunhas de Jesus, movidos pela força do Espírito Santo que agirá em nós. Depois, o texto nos fala que Jesus elevou-se da terra enquanto os que ali se encontravam o acompanhavam com os olhares. E aí aparecem dois homens vestidos de branco que disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu...?”.

Esta última frase tem um profundo significado para nós, cristãos. Não podemos ficar somente olhando para o céu, rezando o dia todo. Somos chamados a testemunhar Jesus (É isso que começa dizendo o texto!) e não a ficar olhando para o céu.

Marcos 9,2-9: É o texto da transfiguração. Num certo momento, Pedro toma a palavra e diz: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. O desejo de Pedro é “permanecer ali”, em outras palavras, é parar! Jesus não aceita esta proposta, porque no versículo nove está escrito: “Ao descerem do monte”. Entendemos assim que a experiência de paraíso, a visão do céu e os momentos de intimidade com a realidade mais profunda de Deus, e, se quisermos, os nossos momentos de contemplação e oração, são importantes, mas não podemos parar neles. É preciso partir para a ação.

Muitas pessoas, tantas vezes também nós, são tentadas a parar no transcendente, nas suas orações e momentos extraordinários, e se esquecem da realidade na qual estão inseridos e do compromisso com o mundo.

Os dois textos lidos nos fazem refletir e nos comprometem com a transformação do mundo, especialmente através do nosso testemunho. A contemplação é importantíssima, mas deve nos colocar a serviço dos irmãos.

Ainda é importante, acredito, destacar aqui as palavras de São João Paulo II: “Contemplar o céu não significa esquecer-se da terra. Se se apresentasse esta tentação, ser-nos-ia suficiente voltar a escutar os ‘dois homens revestidos de branco’: ‘Por que motivo estais a olhar para o céu?’. A contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O ‘céu’ da Ascensão de Jesus não quer dizer distância, mas o ocultar e a vigilância de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória. Entretanto, chegou a hora exigente do testemunho para que, em nome de Cristo, ‘sejam anunciadas a todas as gentes a conversão e a remissão dos pecados’ (Lc 24,47)” (São João Paulo II, 24/05/2001).

Nesse sentido, a dimensão contemplativa não é um privilégio reservado somente para uns poucos; pelo contrário, nas paróquias, nas comunidades e no âmbito dos movimentos, seja promovida uma espiritualidade aberta e orientada à contemplação das verdades fundamentais da fé...” (São João Paulo II, Eclesia in America, n. 29).

Enfim, é importante ter bem claro: a contemplação não nos tira do compromisso social, nem nos afasta do mundo. Pelo contrário, a contemplação nos leva ao serviço e nos compromete com a transformação do mundo.